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Tê um

Tê um

As magras também sofrem

03.04.19

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Antes de mais convém salientar que me encontro saudável e de bem com o meu corpo - se pudesse mudava umas coisinhas aqui e ali mas quem não -.

 

Não sofri de bullying ou algo do género. 

"Sofri" sim, com parvoíces de crianças, com a adolescência e com tudo o que ela advém.   

 

Não sou uma magra a querer ser gorda nem o inverso. 

Não escrevo sem conhecimento - ainda que seja pouco -. 

 

E não menos importante, escrevo de uma forma generalizada - não tenham a mania da perseguição que para isso, já basto eu -. 

 

Um "olha a gorda" ou um "olha a baleia andante" gritado e seguido de risos é equivalente a um "olha a magra" ou a um "olha o esqueleto andante". 

Equivalente porque só mudam os adjetivos, o sentido pejorativo continua lá. 

Significam exatamente o mesmo.

 

Quando tinha os meus dezasseis anos lembro-me de me dizerem que só tinha cabelo.

Que estava magra - ainda que me encontrasse perfeitamente bem de saúde - e que não tinha corpo nenhum - como se eu tivesse culpa que as miúdas da minha idade tivessem nascido todas turbinadas -. 

 

Lembro-me de comer todas as coisas que encontrasse no frigorífico e de pedir que me enchessem o prato às refeições. 

Recordo-me ainda melhor de me colocar dia sim, dia sim, em cima de uma balança para ver se tinha engordado algum quilinho que seja.

 

Colocava um par de leggings antes de vestir as calças para me sentir mais gordinha e consequentemente, para aumentar um bocadinho mais o meu rabinho tábua.

 

Ouvia comentários do género "onde é que o teu namorado te vai agarrar?" ou "és tão magra, achas que ele vai querer uma tábua?"

 

Pouco se escreve e se fala dos "esqueletos andantes".  

 

Podemos parar de idealizar que o Mundo de uma magra - só porque é naturalmente magra - é cor de rosa às bolinhas verdes? - ainda que a combinação seja péssima -. 

 

Podemos parar de idealizar que todas as magras se aceitam e que não têm complexos?

 

Nós conseguimos. 

 

 

 

 

 

 

 

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