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Tê um

Tê um

Alguém bateu à porta? | Life Inc.

10.04.19

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A Marta é mãe, faz projetos como freelancer e é autora - à dez anos, portanto eu sou ainda uma miúda de fralda - do blog "Life Inc.".

 

No meio dos seus inúmeros afazeres, arranjou um tempinho para bater à porta do Tê um. 

 

E eu nunca rejeito uma boa visita e uma boa conversa com muitas cusquices à mistura - confesso - .  

 

Marta, depois de teres passado pela experiência da maternidade duas vezes, quais são as três coisas que de certeza que um livro daqueles sobre futuras mães não ensina?

 

1. As preocupações constantes com os filhos, sobretudo a nível de doenças.

2. O instinto de proteção em relação às crias. É de tal modo avassalador que ninguém nem nada nos prepara para isso.

3. A parvoíce das pessoas que adoram opinar e infelizmente nos conseguem levar à loucura, sobretudo se forem como eu, com pouca paciência para disparates e opiniões alheias.

 

Como é que consegues conciliar o teu blog com o teu trabalho, os afazeres de casa, os teus dois filhos e os outros mil e um afazeres?

 

Uma boa pergunta!

Nós mulheres, achamos que conseguimos fazer tudo, certo? E desdobramo-nos em mil se for preciso.

Felizmente, cá em casa somos uma equipa de dois, quer em  relação à casa, quer em relação aos filhos.

Para além do meu emprego, ainda faço projetos como freelancer e tenho o blog.

Tento aproveitar o fim de semana para preparar os posts semanais mas geralmente durante a semana apetece-me escrever sobre qualquer coisa e não me coíbo.  Mas nos dias que correm, o dia tem de estar bem organizado para não descambar.

 

A gravidez de certeza que não tem só coisas boas. Quais são as três coisas que dispensavas ter passado neste período?

 

1. Os enjoos tenebrosos dos primeiros cinco meses. Os meus não eram matinais, começavam por volta do lanche e só paravam quando despejava o jantar na sanita. Um horror!

2. Logo no início de ambas as gravidezes senti dores fortes resultantes do alargamento do útero. Apareciam a qualquer hora do dia e eram de tal modo fortes que me faziam questionar se estaria tudo bem. O que é certo, é que de ambas as vezes, a minha médica passou-me uns comprimidos de progesterona para tomar.

3. No final do tempo, o facto de ter movimentos mais limitados punha-me doida. Coisas simples como calçar-me ou descalçar-me exigiam toda uma ginástica.

 

Marta e numa única palavra consegues descrever os grupos de mães do facebook? 

 

Manicómio. 

 

Como é que surgiu a ideia de criares um blog?

 

O blog já é muito idoso! São 10 anos de blogosfera.

Inicialmente eu e a minha prima criámos o blog como forma de nos sentirmos mais próximas. Ela morava longe e íamos escrevendo o que nos ia na alma. Entretanto, a vida mudou, ela deixou de escrever e eu resolvi continuar a solo.

 

Qual é aquela marca (de qualquer produto) que não gostas mesmo e que por isso não compras? Ou mesmo aquela que compraste e tiveste uma má experiência.

 

The Body Shop.

Até me identifico com a filosofia da marca mas os produtos não me conseguem cativar. Sempre que passei numa loja, nunca fiquei fã do atendimento.

Talvez seja um pouco injusto, mas não consigo evitar comprar com o meu querido "O Boticário". Têm sempre um atendimento top em qualquer loja, mesmo que não sejamos clientes habituais.

 

Perguntas rápidas

 

Um dia em “cheio” é um dia de sol, passado a passear.

Não durmo sem a minha almofada.

Sinto que o tempo passa rápido demais e tenho tentado levar a vida com mais calma.

Um dia incompleto é um dia sem chocolate.

É provável que um dia vá viver para o campo.

 

Enumera três coisas que as futuras mães precisem mesmo de saber.

 

1. Aprender a fazer ouvidos de mercador às opiniões (pouco construtivas) dos outros.

2. Não precisam de se sentir culpadas por não conseguirem ser mães perfeitas. Acreditem, os nossos filhos amam-nos de qualquer modo.

3.Tentem arranjar um bocadinho de tempo para vocês. Mesmo que fiquem em casa o dia todo, penteiem-se, vistam uma roupa confortável, façam uma pausa. Não é fácil mas vai sendo mais fácil.

 

Esta pergunta é mesmo uma curiosidade minha.

Existe alguma fórmula para fazeres filhos tão bonitos? Se existe eu quero-a. Futuramente poderá dar-me jeito!

 

Oh tão querida! Bem, tenho dois exemplares diferentes.

A mais velha sai completamente ao pai  e o pequenito é fotocópia de mim em bebé. No entanto, são os dois parecidos e tenho fotos em que daqui a uns anos terei certamente dificuldades em distingui-los. Mas não tenho nenhuma fórmula, lamento!

 

Muitas vezes partilhas situações dos teus filhos ou fotografias deles no teu blog.

Nunca tiveste receio de os expor demasiado perante outras pessoas, muitas delas que não conheces?

 

Este é um tema muito presente, certo? Acho que não há uma resposta simples, mas vou tentar.

Quando comecei a usar o facebook, tinha o hábito de partilhar tudo e mais alguma coisa. A mais velha nasceu e eu fui partilhando algumas coisas dela. Isto no meu facebook pessoal.

Fui deixando de o fazer porque uma vez vi-me confrontada com um comentário de um familiar que me deixou desconcertada “Ah! Eu nem te vou visitar, vou acompanhando pelo teu facebook”.

A partir daí e até à data, raramente partilho coisas no meu perfil pessoal. E o que partilho no blog e nas redes sociais, tem um filtro muito grande e é partilhado com peso e medida.

Em relação à mais velha, geralmente pergunto se ela se importa de aparecer ou até de tirar alguma fotografia para uma marca. Caso ela não queira, não publico mas normalmente gosta de ir comigo aos eventos e não se importa. Se algum dia se importar, terei de respeitar obviamente.

Mesmo ao nível da escrita, sinto-me mais contida porque tenho imensos familiares, amigos e colegas de trabalho que leem o blog. E como é óbvio, temos de ter noção que o que partilhamos pode mais tarde ser usado.

Posso dizer-te que um dia fiquei chocada com o relato de um episódio que li aqui num blog do sapo, ainda por cima acompanhado de fotos. Pensei logo que um dia aquela criança podia ter um sério problema caso algum colega mais maldoso descobrisse aquilo. Enfim, haja bom senso.

 

Se o teu blog pudesse falar, o que achas que ele diria sobre ti?

 

Espero que mostrasse o quanto eu cresci ao longo destes dez anos. 

 

Muito obrigada Marta!
A porta do Tê um, estará sempre aberta para ti 

 

São só mamas

05.04.19

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Catarina Corujo dá a cara - e os seios - pela próxima capa da revista "CRISTINA". 

Como mote surge a Liberdade ou não estivéssemos nós no mês dela. 

 

Vamos começar pelo facto do Instagram não permitir que a fotografia seja publicada de facto como ela é na realidade. 

 

"Calma, mostrar os seios é que não! É muito erógeno e pode ferir a visão dos mais sensíveis. É considerado conteúdo pornográfico" - pensa o Instagram -. 

Por favor, vamos dar uma valente gargalhada. 

Mostrar os seios é claramente proibido. No entanto, se quiseres mostrar o belo do teu bunfunfum não há problema algum. 

É mesmo preciso mostrar a quantidade de "fotografias rabais" que pairam no feed do Instagram? 

 

"Se fosse um homem a mostrar o pénis..." Li  num dos comentários.  E desde quando é que um pénis se pode comparar a seios? É a mesma coisa que comparar uma banana a uma laranja. 

A rapariga não mostrou a vagina, mostrou mamas.

M-a-m-a-s.

 

É socialmente aceite homens mostrarem mamilos. Uma mulher não. O que seria da badalhoca.  

Porquê que ainda continuamos a sexualizar tanto? Os mamilos de um homem também podem estimular mulheres ao sexo, sabiam? 

 

É preciso relembrar que quando Ricardo Quaresma, fez uma sessão fotográfica para a capa da revista, praticamente nu, os comentários não demoraram a surgir: "que pão", "gostoso" e afins. 

A Catarina aparece ainda mais vestida e surge um batalhão de comentários também. Mas negativos.

 

As pessoas continuam sem entender o impacto que tem uma mulher ter coragem de mostrar os seios numa sociedade, ainda, maioritariamente sexista e machista. 

 

Mostrar os seios não serve apenas para se mostrar que se é livre. São uma representação da liberdade.

São só mamas.

 

 

 

 

 

 

 

 

As magras também sofrem

03.04.19

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Antes de mais convém salientar que me encontro saudável e de bem com o meu corpo - se pudesse mudava umas coisinhas aqui e ali mas quem não -.

 

Não sofri de bullying ou algo do género. 

"Sofri" sim, com parvoíces de crianças, com a adolescência e com tudo o que ela advém.   

 

Não sou uma magra a querer ser gorda nem o inverso. 

Não escrevo sem conhecimento - ainda que seja pouco -. 

 

E não menos importante, escrevo de uma forma generalizada - não tenham a mania da perseguição que para isso, já basto eu -. 

 

Um "olha a gorda" ou um "olha a baleia andante" gritado e seguido de risos é equivalente a um "olha a magra" ou a um "olha o esqueleto andante". 

Equivalente porque só mudam os adjetivos, o sentido pejorativo continua lá. 

Significam exatamente o mesmo.

 

Quando tinha os meus dezasseis anos lembro-me de me dizerem que só tinha cabelo.

Que estava magra - ainda que me encontrasse perfeitamente bem de saúde - e que não tinha corpo nenhum - como se eu tivesse culpa que as miúdas da minha idade tivessem nascido todas turbinadas -. 

 

Lembro-me de comer todas as coisas que encontrasse no frigorífico e de pedir que me enchessem o prato às refeições. 

Recordo-me ainda melhor de me colocar dia sim, dia sim, em cima de uma balança para ver se tinha engordado algum quilinho que seja.

 

Colocava um par de leggings antes de vestir as calças para me sentir mais gordinha e consequentemente, para aumentar um bocadinho mais o meu rabinho tábua.

 

Ouvia comentários do género "onde é que o teu namorado te vai agarrar?" ou "és tão magra, achas que ele vai querer uma tábua?"

 

Pouco se escreve e se fala dos "esqueletos andantes".  

 

Podemos parar de idealizar que o Mundo de uma magra - só porque é naturalmente magra - é cor de rosa às bolinhas verdes? - ainda que a combinação seja péssima -. 

 

Podemos parar de idealizar que todas as magras se aceitam e que não têm complexos?

 

Nós conseguimos.